|
Se você está pensando em aproveitar a queda dos juros e as melhores condições oferecidas pelas instituições financeiras para financiar um imóvel, vale a pena aguardar alguns dias para esperar os bancos se adequarem às novas medidas anunciadas pelo governo no pacote para o setor imobiliário, divulgado nessa segunda-feira. As medidas não vão proporcionar mudanças significativas, mas são importantes pois contribuirão para a redução dos juros na compra parcelada da casa própria.
Um dos pontos de destaque do pacote foi a possibilidade dos bancos usarem o dinheiro da poupança para emprestar com a taxa de juros prefixada. Anteriormente, eles usavam o dinheiro da carteira própria, cujo custo de captal é mais caro. Agora, como cairão as taxas de captação de recursos, eles poderão baratear as linhas pré atualmente disponíveis. Antes, para obsorver os riscos de bancar uma taxa prefixada ao longo dos financiamentos, os bancos pediam juros entre 15% e 19% ao ano, ainda muito elevados frente aos financiamentos com a correção pela TR. Com a medida do governo, foi fixado um limite de juros em torno de 14% a 14,5% ao ano para essas operações.
Assim, devemos observar um barateamento para os consumidores, ainda que as taxas não sejam as ideais. Os financiamentos com TR, hoje em dia, tem juros anuais que partem de 8% nos primeiros 36 meses, passando a 12%, nos anos seguintes. Como a TR gira em torno de 2% ao ano, atualmente, o financiamento indexado a TR ainda seria mais atrativo nos primeiros três anos, ficando praticamente igual no período seguinte, se os bancos adotarem o teto de 14% a 14,5% ao ano. Portanto, será preciso acompanhar as novidades para medir o interesse.
Sacre - Já o financiamento com isenção da TR e com teto de 12% ao ano, também liberado pelo governo, deverá ser pouco usado atualmente, crescendo conforme o movimento de redução da taxa básica, Selic.
Lembre-se também de utilizar a tabela Sacre nos financiamentos. Esse sistema é sempre o mais aconselhado. As prestações começam um pouco mais caras do que na Tabela Price, mas tendem a recuar ao longo do tempo e você paga menos no total do financiamento em relação ao sistema Price, reduzindo eventuais sustos e custos. Num empréstimo de R$ 100 mil, por exemplo, num prazo de 15 anos e com taxa de juros de 12% ao ano, com correção pela TR, o total pago seria de R$ 230,2 mil. Nesse financimento, a parcela inicial seria de R$ 1,56 mil e a última de R$ 843, com a correção da TR. Já na Tabela Price, o financiamento total seria de R$ 240,2 mil com a correção pela TR, o que representa um acréscimo de R$ 10 mil sobre o valor de aquisição via sistema Sacre.
Consignado - Já a criação do crédito consignado (com desconto das prestações direto na folha de pagamento) para a compra da casa própria não deve ainda resultar em grande mudança nos juros. Por serem normalmente contratos de longo prazo (até 20 anos), esses financiamentos vão exigir dos compradores um planejamento muito rigoroso, porque ficarão por anos obrigatoriamente sem poder contar com parcela importante do seu salário. Associação Nacional dos Moradores e Mutuários (ANMM) vê riscos para esse processo.
Segundo a instituição, é comum os agentes financeiros lançarem diferenças nas prestações anteriores na prestação atual sem prévio aviso e sem explicação fazendo, em muitos casos, com que a prestação a pagar se torne inviável pelo seu alto valor. Sem uma política habitacional definida, o mutuário corre o risco de ter sua prestação aumentada de tal maneira que seu salário mal dê para pagar o valor descontado e assim ficar sem seu rendimento mensal. Os agentes financeiros também não acompanham mais os aumentos de salário recebidos pelos mutuários e normalmente utilizam índices de reajuste que não correspondem ao recebido pelo cliente, havendo um descasamento entre o crescimento da receita e das prestações. Em todos os casos, o mutuário ficará a mercê do desconto sem ter onde reclamar uma vez que concordou com o desconto direto no salário. Jayme Alves Da equipe do DiárioNet
|